Empresas brasileiras de diversos setores aceleram a adoção de tecnologias avançadas, como inteligência artificial (IA) e automação, para sustentar o crescimento e elevar os índices de produtividade. Atualmente, 80% das companhias no país reconhecem que a integração de ferramentas digitais é o fator determinante para o sucesso futuro, especialmente diante da necessidade de produzir mais com as equipes atuais. Esse movimento é impulsionado por mudanças demográficas, como a inversão da pirâmide etária prevista para 2040, que torna a contratação de novos profissionais um desafio crescente e exige maior eficiência operacional dos quadros existentes.
Dados da Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), divulgada pelo IBGE, revelam que o uso de inteligência artificial mais que dobrou nas indústrias brasileiras em apenas dois anos, saltando de 17% em 2022 para 42% no primeiro semestre de 2024. A computação em nuvem lidera como a tecnologia mais difundida, presente em 77% das empresas, enquanto ferramentas de manufatura aditiva e robótica ainda ocupam espaços mais específicos. Apesar do avanço, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que 69% das empresas ainda estão em estágios iniciais de digitalização, utilizando entre uma e três inovações básicas, como automação com sensores e sistemas integrados de manufatura.
Especialistas alertam, no entanto, para a necessidade de um planejamento estratégico que evite a chamada síndrome da joia, quando a tecnologia é adotada apenas por modismo, sem resolver problemas reais do negócio. Segundo Kenneth Corrêa, professor da FGV, o erro mais comum é contratar ferramentas isoladas sem mapear os gargalos operacionais, o que acaba por automatizar processos confusos em vez de torná-los produtivos. Para que a tecnologia realmente gere resultados, é fundamental que as áreas de marketing, vendas, RH e financeiro entendam o propósito das ferramentas, utilizando-as para reduzir o tempo de criação de campanhas, integrar estoques ou coletar dados em tempo real.
O investimento consistente em inovação reflete o plano de 79,3% dos empresários brasileiros de aumentar seus aportes em tecnologia em pelo menos 20% nos próximos cinco anos. Os pilares dessa transformação sustentam-se em agilidade, cultura de dados e foco na experiência do cliente, permitindo que as organizações se adaptem rapidamente às mudanças do mercado global. A integração de sistemas ERP e o uso de Internet das Coisas (IoT) na indústria são exemplos de como a conectividade horizontal e vertical elimina o retrabalho e facilita o fluxo de informações estratégicas entre departamentos.
No cotidiano das empresas, a tecnologia atua como aliada na redução do microgerenciamento e na melhora da autonomia das equipes, sendo essencial para viabilizar modelos de trabalho híbridos ou em home office. Plataformas de colaboração centralizadas permitem que as tarefas sejam documentadas e compartilhadas, criando um ambiente de trabalho mais organizado e transparente. Entretanto, o avanço tecnológico deve ser equilibrado com a valorização dos recursos humanos, garantindo que a eficiência operacional não comprometa o bem-estar dos colaboradores e que a cultura organizacional esteja alinhada ao potencial das novas ferramentas.
Os próximos passos para o empresariado nacional envolvem a transição de soluções pontuais para ecossistemas digitais complexos e integrados. A consolidação da inteligência artificial generativa e a análise de Big Data devem ganhar ainda mais espaço nos processos de tomada de decisão e no desenvolvimento de novos produtos. Com 72% das empresas relatando ganhos diretos de produtividade após a digitalização, a tendência é que o Brasil reduza o hiato tecnológico em relação a outros mercados emergentes, consolidando a inovação como o eixo central da sustentabilidade econômica no longo prazo.