Bem-estar e Saúde

Atividade física ganha status de tratamento clínico contra doenças crônicas e mentais no Brasil

Fonte(s): Folha de S.Paulo, R7, Veja, G1 12 leituras
Atividade física ganha status de tratamento clínico contra doenças crônicas e mentais no Brasil
Pandya Medical Center

O sedentarismo atinge atualmente cerca de 47% da população adulta no Brasil, um cenário que desafia o sistema público de saúde e reforça a necessidade de a atividade física ser tratada como uma intervenção clínica prioritária. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o problema é ainda mais acentuado entre os jovens, com índices de inatividade que chegam a 84%. O cenário ocorre em um momento em que novas evidências científicas comprovam que o exercício regular não apenas previne doenças crônicas, mas atua com eficácia comparável a medicamentos e psicoterapia no tratamento de transtornos mentais, como ansiedade e depressão.

A prática constante reduz significativamente o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, doenças cardíacas e diversos tipos de câncer, além de promover o fortalecimento muscular e articular. No caso específico de idosos, o movimento é a principal ferramenta para combater a sarcopenia e prevenir quedas, garantindo maior autonomia na realização de tarefas cotidianas. Já para o público infantil, a recomendação de 60 minutos diários de atividade física é considerada essencial por especialistas para o desenvolvimento cognitivo e para a formação de hábitos saudáveis que evitem o estresse e melhorem a qualidade da alimentação no futuro.

No campo da saúde mental, uma meta-análise conduzida por pesquisadores australianos com dados de quase 80 mil participantes revelou que a atividade física pode ser tão eficaz quanto fármacos e terapia para casos de depressão leve a moderada. O estudo defende que médicos e psicólogos adotem o exercício como tratamento de primeira linha, uma vez que a prática altera a química e a estrutura cerebral. Segundo os pesquisadores, a atividade deve ser prescrita com a mesma confiança que as receitas de farmácia, desde que adaptada à realidade e às limitações individuais de cada paciente para garantir a aderência ao cuidado sem gerar sobrecarga.

Atividade física ganha status de tratamento clínico contra doenças crônicas e mentais no Brasil
UNL Food - University of Nebraska–Lincoln

Para alcançar os benefícios metabólicos e de equilíbrio hormonal, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere o cumprimento de pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana. Contudo, a busca pelo desempenho físico também apresenta riscos quando negligencia a saúde integral. Casos recentes de óbitos de fisiculturistas associados a doenças cardíacas e o uso inadequado de substâncias como a testosterona e peptídeos alertam para os perigos do abuso hormonal. Além disso, a infraestrutura pública exige atenção, uma vez que a utilização de academias ao ar livre sem a devida orientação ou manutenção pode oferecer riscos de lesões e problemas sanitários aos usuários.

Os impactos práticos de uma rotina ativa estendem-se à longevidade e à redução de custos hospitalares, especialmente em condições como o diabetes tipo 2, onde programas de educação e assistência remota têm mostrado maior eficácia na continuidade do tratamento. A melhora na sensibilidade à insulina e no controle do peso reflete diretamente na diminuição de episódios de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Pequenas mudanças na rotina diária, quando bem orientadas, tornam-se ferramentas fundamentais para baixar os níveis de cortisol, gerenciar o estresse urbano e até mesmo melhorar a saúde reprodutiva de homens e mulheres.

O futuro do setor aponta para uma integração maior entre tecnologia, assistência personalizada e novos tratamentos farmacológicos. A expectativa de lançamento de versões mais acessíveis de medicamentos à base de semaglutida promete tornar o controle metabólico mais viável economicamente, com reduções de custos estimadas em 30%. Enquanto as políticas públicas de incentivo ao esporte nas escolas e a melhoria das unidades de exercício comunitário aguardam avanços, a tendência é que a prescrição de exercícios se torne um pilar central e personalizado nos protocolos convencionais de medicina preventiva e curativa.

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