As empresas brasileiras, especialmente no setor industrial, vivem uma aceleração na adoção de tecnologias digitais avançadas, com 89% das organizações utilizando ao menos uma ferramenta de ponta em 2024. O destaque desse movimento é o salto na utilização de Inteligência Artificial (IA), que passou de 16,9% em 2022 para quase 42% no primeiro semestre deste ano, representando um crescimento de 163,2%. Esse avanço é impulsionado por setores como o financeiro, saúde e varejo, que buscam automação e integração de sistemas para sustentar operações cada vez mais complexas e competitivas.
A computação em nuvem consolida-se como a tecnologia mais difundida, presente em 77,2% das companhias devido à sua aplicação abrangente em diversas áreas administrativas e produtivas. Outras inovações como a Internet das Coisas (50,3%), robótica (30,5%) e análise de Big Data (27,8%) também registram presença significativa, enquanto a manufatura aditiva aparece em 20,3% dos negócios. De acordo com o gerente de pesquisas temáticas do IBGE, Flávio Peixoto, as empresas passaram a compreender melhor os benefícios práticos dessas ferramentas no cotidiano, facilitando a inserção rotineira de inovações como as IAs generativas desde o final de 2022.
Apesar do domínio das grandes corporações, as pequenas empresas também demonstram uma mudança de mentalidade, com 43% dos proprietários investindo em novas tecnologias para elevar a produtividade. No entanto, o setor produtivo ainda enfrenta barreiras externas relevantes, como a escassez de profissionais qualificados, apontada por 37% dos representantes das firmas, e a dificuldade em identificar parceiros tecnológicos adequados. Executivos do setor de tecnologia ressaltam que essa evolução exige uma atenção redobrada à cibersegurança e à gestão de identidades para garantir que o ganho de desempenho venha acompanhado de proteção e visibilidade de dados em tempo real.
Um dado crítico revelado pela Pesquisa de Inovação (Pintec) 2024 é a baixa adesão a programas governamentais de fomento. Apenas 9,1% das empresas que utilizam tecnologias digitais avançadas recorrem a incentivos públicos, embora esse índice suba para 13,9% nas companhias com mais de 500 funcionários. Mesmo com o lançamento de iniciativas como o programa Nova Indústria Brasil (NIB), que oferece linhas de financiamento para a modernização fabril, a atratividade desses apoios ainda é considerada pequena diante do movimento espontâneo do mercado em busca de inovação por conta própria.
Na prática, a tecnologia tem atuado como ferramenta essencial para reduzir o microgerenciamento e aumentar a autonomia das equipes, especialmente em modelos de trabalho híbrido ou remoto. O uso de plataformas de colaboração e automação de fluxos permite que as tarefas sejam executadas com prazos definidos e acesso facilitado aos dados, melhorando a comunicação interna e a produtividade. Em setores como o automotivo, a implementação de sensores e controles automatizados já é uma realidade consolidada que garante agilidade e inteligência de dados, nivelando o campo competitivo entre empresas de diferentes portes.
O cenário futuro aponta para uma integração mais profunda de sistemas, embora o desafio de conjugar múltiplas tecnologias simultaneamente ainda persista, visto que apenas 5% das empresas utilizam as seis principais inovações mapeadas pelo IBGE de forma conjunta. A expectativa é que, com o amadurecimento das estratégias de governança digital, as organizações superem entraves como a falta de financiamento apropriado e o despreparo de alguns elos da cadeia de fornecedores. A continuidade dos investimentos em infraestrutura tecnológica deve focar agora na simplificação de operações e na redução de riscos para sustentar o crescimento econômico desejado.