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Futebol brasileiro movimenta R$ 91 bilhões e CBF projeta liga única para impulsionar setor

Fonte(s): Estadão, R7, O Globo, ge.globo 9 leituras
Futebol brasileiro movimenta R$ 91 bilhões e CBF projeta liga única para impulsionar setor
L.E.K. Consulting

O futebol brasileiro atravessa um período de reestruturação financeira e técnica que se reflete tanto no mercado interno quanto no desempenho em competições internacionais. O retorno de Neymar ao Santos, consolidado após o atacante abrir mão de cerca de R$ 390 milhões em vencimentos junto ao Al-Hilal, simboliza uma nova fase de repatriação de ídolos, enquanto clubes como o Palmeiras atingem a marca de R$ 300 milhões em patrocínios. Esse fortalecimento econômico se traduz em campo, como observado na primeira edição do novo Mundial de Clubes da Fifa, onde Botafogo e Flamengo superaram gigantes europeus como Paris Saint-Germain e Chelsea, respectivamente, com o Fluminense alcançando as semifinais do torneio vencido pelo time londrino.

No cenário europeu, o Paris Saint-Germain atingiu sua maturidade tática sob o comando de Luis Enrique, conquistando a tríplice coroa com vitórias expressivas, como os 5 a 0 sobre a Inter de Milão na final da Champions League. Enquanto isso, a movimentação nos bastidores dos clubes brasileiros segue intensa, com o Corinthians oficializando a saída de Dorival Júnior e avançando em negociações para contratar Fernando Diniz como seu substituto. O dinamismo do esporte no país também se manifesta nas divisões de acesso, onde o Goiás assumiu a liderança da Série B ao vencer o Criciúma em pleno aniversário do clube, demonstrando o equilíbrio competitivo que sustenta o calendário nacional.

A relevância do setor para a economia brasileira foi quantificada por um estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que aponta que o futebol movimenta anualmente R$ 91,4 bilhões. Esse montante representa aproximadamente 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando mais de 600 mil empregos e R$ 12 bilhões em tributos. Apesar do crescimento de 60% na última década, especialistas da agência avaliam que o setor opera abaixo de seu potencial e poderia dobrar de tamanho caso houvesse uma organização institucional mais robusta e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento industrial do esporte, integrando melhor setores como mídia, turismo e serviços.

Futebol brasileiro movimenta R$ 91 bilhões e CBF projeta liga única para impulsionar setor
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Diante desse cenário de subvalorização do produto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou uma agenda para a criação de uma liga única no Campeonato Brasileiro. A proposta, apresentada aos clubes, visa unificar a gestão comercial e técnica da competição, discutindo temas críticos como a qualidade dos gramados, critérios de rebaixamento e a valorização da marca do torneio. A entidade prevê que o estatuto dessa nova liga seja finalizado até o final de 2026, buscando profissionalizar ainda mais a entrega do espetáculo e aumentar a atratividade para investidores internacionais, conforme o modelo adotado pelas principais ligas europeias.

O domínio técnico das equipes brasileiras é evidenciado pela hegemonia na Copa Libertadores, onde o país conquistou todos os títulos desde 2019. Com o início da fase de grupos de uma nova edição, clubes como o Grêmio já planejam estratégias de preservação de elenco para conciliar o torneio continental com clássicos regionais e o início do Brasileirão. Além disso, a vitrine do futebol local segue atraindo olhares externos, exemplificado pela recente convocação de cinco jogadores que atuam no Brasil pelo técnico Carlo Ancelotti, o que reforça a qualidade do material humano presente nos gramados nacionais e o impacto das variações táticas de treinadores como Pezzolano no Internacional.

Os próximos passos para a consolidação deste crescimento dependem da efetivação da liga única e da resolução de passivos financeiros, como a dívida que o Santos mantém com Neymar, na qual o clube utilizou seu centro de treinamento da base como garantia. Enquanto isso, no plano individual, a disputa pela artilharia mundial entre Mbappé e Harry Kane e as inovações táticas promovidas por Mikel Arteta no Arsenal mantêm o interesse do público global elevado. A expectativa é que, com a nova organização institucional proposta pela CBF e pela ABDI, o futebol brasileiro não apenas mantenha sua soberania esportiva na América do Sul, mas também alcance novos patamares de sustentabilidade financeira e relevância econômica global.

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