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Sinais de negociação entre EUA e Irã acalmam mercados, mas cenário interno mantém dólar sob pressão

Fonte(s): Estadão, Globoplay, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, G1, InfoMoney 11 leituras
Sinais de negociação entre EUA e Irã acalmam mercados, mas cenário interno mantém dólar sob pressão
Investopedia

O mercado financeiro internacional apresentou sinais de estabilização nesta quarta-feira após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que as negociações com o Irã estão em ritmo acelerado. O movimento reduziu a pressão sobre os preços do petróleo e impactou diretamente o câmbio e as ações da Petrobras, que viram seus ganhos iniciais serem mitigados ao longo do pregão. Apesar do alívio diplomático momentâneo, o cenário econômico brasileiro permanece pressionado por revisões negativas nas expectativas inflacionárias e por turbulências políticas que elevaram a aversão ao risco no ambiente doméstico.

No fechamento das operações, o dólar comercial registrou alta de 1,78%, sendo cotado a R$ 5,156, o maior patamar registrado desde o início de abril. Simultaneamente, o Ibovespa enfrentou retração de 0,77%, encerrando abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez no ano. O desempenho reflete não apenas o cenário externo, mas também a deterioração do Boletim Focus, que apontou piora na previsão da inflação para 2026 pela 12ª semana consecutiva, afastando o índice ainda mais do centro da meta estabelecida pela autoridade monetária. Segundo explicou o analista Joelmir Beting, o mercado tem reagido com maturidade às oscilações, embora o dólar paralelo tenha registrado picos de valorização.

O setor de criptoativos também apresentou volatilidade acentuada, com o Bitcoin operando abaixo da marca de US$ 60 mil, rompendo um suporte que se mantinha desde outubro de 2024. O recuo ocorre após a moeda digital ter atingido a máxima histórica de US$ 126.251 logo após o resultado das eleições americanas. A redução do apetite global por risco, motivada por incertezas sobre a manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos, tem drenado liquidez de ativos considerados mais especulativos, refletindo uma cautela generalizada entre investidores institucionais diante de um cenário macroeconômico ainda incerto.

Sinais de negociação entre EUA e Irã acalmam mercados, mas cenário interno mantém dólar sob pressão
WallStreetMojo

A tensão geopolítica ganha contornos complexos com a confirmação de que quatro petroleiros de bandeira iraniana, transportando cerca de 7 milhões de barris de petróleo, conseguiram cruzar o estreito de Hormuz desafiando bloqueios internacionais. Em resposta ao impasse na região, o mercado financeiro voltou a precificar a possibilidade de novas altas nos juros americanos até o fim do ano. Em outra frente, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o país pretende manter os limites de tarifas determinados em acordos com parceiros estratégicos como a União Europeia e o Japão, reforçando a postura de proteção comercial da atual administração.

No âmbito nacional, o governo federal busca articular medidas de fomento econômico, como o lançamento de uma linha de crédito específica para a aquisição de motocicletas por entregadores de aplicativos, tema discutido entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros. Contudo, o ambiente de negócios é impactado por novas denúncias de corrupção e tráfico de influência envolvendo figuras próximas ao governo, o que motiva investigações conjuntas da Polícia Federal, Receita Federal e Banco Central. Essas turbulências políticas repercutem diretamente nas bolsas de São Paulo e do Rio de Janeiro, gerando um clima de incerteza que se soma aos ruídos eleitorais previstos para o segundo semestre.

Para o restante do mês de junho, a perspectiva para os investidores é de atenção redobrada diante de um calendário de dividendos robusto, liderado por grandes instituições bancárias e pela Petrobras, que deve injetar volumes bilionários no mercado. Entretanto, os desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã e a definição da política monetária pelo Federal Reserve continuam sendo os principais vetores de volatilidade. A resolução de impasses sobre a regulação de criptos e fintechs, defendida por órgãos de segurança para coibir crimes financeiros, também deve entrar na pauta regulatória e influenciar o fluxo de capitais nas próximas semanas.

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