As empresas brasileiras projetam um salto significativo na produtividade nos próximos cinco anos, impulsionadas pela adoção intensiva de novas tecnologias. Uma pesquisa global indica que 74% das organizações do país esperam elevar sua capacidade produtiva em mais de 20% até 2030. O movimento é sustentado pela automação de processos repetitivos e pela integração de sistemas que permitem o monitoramento em tempo real de indicadores de desempenho, visando eliminar desperdícios e transformar dados brutos em conhecimento estratégico para o negócio.
O cenário de transformação digital reflete um aumento nos investimentos, com 79,3% dos empresários brasileiros planejando ampliar aportes em tecnologia em pelo menos 20% no curto prazo. Gigantes do setor, como a Totvs, exemplificam essa expansão ao deter mais de 50% do mercado nacional de sistemas de gestão. A companhia registrou alta de 18% em sua receita líquida anual após uma série de aquisições estratégicas de empresas de software para recursos humanos e vendas, consolidando sua presença na América Latina e em outros quarenta países.
Apesar do avanço tecnológico, especialistas alertam que a inovação deve estar aliada à valorização do capital humano. Segundo Barroso, executivo do setor, o Brasil evolui em aplicações específicas de dados, mas ainda precisa de uma mentalidade que democratize o acesso à informação por meio de educação e cultura organizacional. A integração de novas ferramentas deve considerar o bem-estar dos colaboradores para garantir o crescimento sustentável, evitando que o foco exclusivo em eficiência resulte na negligência das necessidades das equipes.
A inteligência artificial surge como um pilar fundamental nesta estratégia, com uma tendência crescente pelo uso de modelos de código aberto. Atualmente, 50% das empresas brasileiras já utilizam IA open source, atraídas pela autonomia e pela urgência por redução de custos. Globalmente, três em cada quatro negócios planejam expandir o uso dessas ferramentas nos próximos anos, consolidando um modelo híbrido onde tecnologias abertas e proprietárias coexistem para maximizar a agilidade empresarial.
A tecnologia da informação também se tornou vital para a sobrevivência de micro e pequenas empresas, servindo como bússola para identificar a viabilidade de novos investimentos. Dados setoriais mostram que o uso de computadores em pequenos negócios cresceu até 80% nos últimos anos, dependendo do setor de atuação. Essa digitalização é essencial para a gestão logística e o controle de estoques, permitindo que empresas de menor porte organizem informações em locais únicos e compitam de forma mais equilibrada no mercado.
A aceleração tecnológica responde ainda a um desafio demográfico iminente: a inversão da pirâmide etária brasileira prevista para 2040. Com a crescente dificuldade para contratar novos profissionais, as companhias buscam na automação e em tecnologias emergentes a solução para produzir mais com as equipes atuais. A consolidação de uma estratégia de negócios orientada por dados e inovação constante torna-se, portanto, o caminho para garantir a competitividade econômica e a sustentabilidade das organizações no longo prazo.