O cenário internacional registrou um alívio momentâneo com o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, mediado pelo Paquistão. A trégua provocou uma queda imediata nos preços do petróleo no mercado global, trazendo fôlego para economias emergentes. No Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu que estreitos e canais internacionais devem servir para a aproximação entre as nações, reforçando a importância estratégica da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. Apesar do sinal positivo, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que a gestão do Estreito de Ormuz entrará em uma nova fase, indicando a cobrança de pedágios durante o período de negociações.
Internamente, o governo brasileiro enfrenta um recorde de endividamento, com o número de inadimplentes saltando para 81,7 milhões de pessoas em 2026. Para conter a volatilidade energética decorrente da crise externa, o Palácio do Planalto publicou uma Medida Provisória estabelecendo um pacote de subsídios aos combustíveis no valor de R$ 31 bilhões. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, sinalizou que o governo estuda utilizar R$ 7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para socorrer as dívidas de aproximadamente 10 milhões de trabalhadores, enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social mantém uma injeção diária de R$ 1 bilhão na economia para sustentar a atividade produtiva.
A infraestrutura aérea do país sofreu um forte impacto com a paralisação temporária dos voos nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, em São Paulo. O incidente foi causado por uma pane em um centro regional de controle da Aeronáutica, após a suspeita de vazamento de gás e princípio de incêndio no local. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, o prédio precisou ser evacuado por segurança, o que gerou atrasos e cancelamentos em cascata. Paralelamente, o cenário de segurança pública paulista registra um aumento de 31% nos casos de feminicídio no primeiro bimestre, o que levou a prefeitura a regulamentar novas políticas de atendimento a mulheres vítimas de violência.
No campo jurídico e institucional, o Supremo Tribunal Federal analisa processos sensíveis, como a definição sobre eleições indiretas para o governo do Rio de Janeiro. O ministro Flávio Dino pediu vista do julgamento, mas o ministro André Mendonça já antecipou seu voto sobre o caso. Em outra frente, investigações do Banco Central sobre o Banco Master apontam simulações de vendas de imóveis para ocultar pagamentos indevidos. O caso gerou declarações de impedimento de ministros do Superior Tribunal de Justiça e críticas do presidente da Comissão de Valores Mobiliários sobre a condução das apurações.
No setor ambiental e de infraestrutura, o governo aguarda a assinatura do novo acordo de repactuação de Mariana, estimado em R$ 170 bilhões, para encerrar anos de disputas judiciais sobre o desastre ambiental. Simultaneamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou projetos de lei que endurecem o combate à violência doméstica, incluindo a monitoração eletrônica de agressores. No Congresso, avança o debate sobre a autonomia do Banco Central, enfrentando resistência da equipe econômica que prefere adiar a votação para evitar interferências no ano eleitoral.
Os próximos desdobramentos dependem da sustentabilidade da trégua no Oriente Médio e da eficácia das medidas de crédito para frear a inadimplência doméstica. A balança comercial de março apresentou seu pior superávit desde 2020, evidenciando a necessidade de estabilização dos preços das commodities e da agropecuária brasileira. Enquanto isso, o cenário político se aquece com a janela partidária e as movimentações para as eleições estaduais, mantendo a pressão sobre as decisões fiscais e judiciais que devem moldar o fechamento do primeiro semestre.